Ogyen Shak

Em Busca de Liberdade

Tibetano de nascimento, Ogyen Shak personifica um drama que assola seu país há mais de 60 anos: a ocupação da China comunista, iniciada em 1950. Aos 16 anos, encarou uma aventura que parecia possível apenas em filmes. Num grupo com trinta pessoas, atravessou o Himalaia a pé carregando dois irmãos menores. Seu objetivo? Fugir do Tibet em busca de liberdade.

Ogyen Shak viu a morte de perto e quase foi colhido por ela. Ao cruzar a fronteira entre o Tibet e o Nepal, foi internado num hospital para refugiados onde permaneceu por um ano longe dos pais ou familiares. Lutou para se recuperar de uma gangrena que afetou suas mãos, braços, pés e pernas e acabou perdendo os dedos de um dos pés. Após sua recuperação, morou num campo de refugiados tibetanos em Dharamsala, na Índia, onde reencontrou os irmãos e precisou trabalhar para sustentá-los. 

​Conseguiu reconstruir sua vida na Índia, exercendo sua especialidade: a arte sacra tibetana. Ajudou na pintura e ornamentação de templos de grandes mestres como S.S. Dalai Lama, Sakya Trinzin e Dzongsar Kyentse Rinpoche. Em 2006, seguindo os conselhos de seu mestre, veio ao Brasil para coordenar a pintura e a ornamentação de um templo de budismo tibetano em Cotia, interior de São Paulo. Quatro anos depois, conheceu sua futura esposa, a gaúcha Adriana Shak que, na época, era moradora de um templo de budismo tibetano localizado em Três Coroas. Acostumado a cozinhar desde muito pequeno para a família q amigos, seu gosto pela culinária tibetana se revelou muito cedo de forma que um restaurante parecia ser o cenário perfeito para iniciar a realização do seu maior sonho: divulgar e manter-se em contato com a cultura do seu amado país, terra esta onde um dia, ainda sonha poder retornar.

Adriana Shak

Em Busca de Conhecimento

Gaúcha de Novo Hamburgo, Adriana Shak nutre a busca por enxergar, além do óbvio e convenções, a compreensão em profundidade dos "mistérios da vida". Aos 11 anos, foi desafiada ao ver seu maior sonho de infância - uma irmãzinha para cuidar e brincar - se transformar em seu maior pesadelo, ao ver a morte levar de forma inesperada e dramática durante o parto, sua mãe, uma das pessoas que mais amava, juntamente com a tão sonhada irmãzinha prestes a nascer.

A inconformação com a falta de respostas coerentes sobre a vida e a morte se intensificou de tal forma que, aos 23 anos, abandonou a faculdade de administração e uma carreira promissora como aeroviária para se mudar para um templo de budismo tibetano em Três Coroas, Rio Grande do Sul.

​Permaneceu como voluntária no templo budista por 14 anos, convivendo com a cultura e religião tibetanas, que lhe inspiraram a contemplação da vida sob uma ótica diferente. Em 2009, "esbarrou" com o tibetano Ogyen Shak. Naquela época, Shak era o artista responsável pela ornamentação de um templo tibetano localizado em Cotia no interior de São Paulo.

Adriana Shak se encantou imediatamente pela postura alegre e divertida daquele tibetano refugiado que transmitia experiência e sabedoria. Após um ano de namoro, em agosto de 2010, o casamento às pressas evitou a deportação de Shak do Brasil. Um marido e um restaurante tibetano, com todas as diferenças e desafios, se transformaram num novo cenário para que a jornada em busca do conhecimento possa continuar.